Encalhadas no gelo

10 de abril de 2016

As estradas de gelo (zimnik) na Rússia compreendem caminhos sobre rios e lagos congelados, bem como pela taiga e tundra com base de neve compactada. Por dependerem do gelo para se manterem transitáveis, essas estradas existem somente no inverno e parte da primavera, ficando o verão e o outono livres de circulação de automóveis.

Mas por razões desconhecidas a nós, mesmo com temperaturas extremamente baixas (até abaixo de -50 graus), certas partes dos rios podem estar menos congeladas, oferecendo perigo para quem transitar sobre eles, especialmente caminhões, devido ao seu peso.

Quando nós dirigimos para o norte por essas estradas de inverno na Iacútia, Rússia, encontramos seis caminhões que caíram pelo gelo fino ter se quebrado e por isso ficaram encalhados. Esta é uma situação um tanto desesperadora, pois uma vez que o caminhão cai numa dessas armadilhas, duas horas é o suficiente para que ele congele onde caiu, impossibilitando ser rebocado. Não há o que fazer, esta é uma realidade que os caminhoneiros do frio tem que enfrentar todos os anos neste tipo de estrada.

É preciso entender que um rio congela pela temperatura ambiente (externa) ser mais baixa que a da água, então, as águas mais profundas, por não terem contato com o frio de fora d’água, não congelam e continuam fluindo por debaixo do gelo. No caso das fotos que tiramos, estes rios chegam a 3 metros de profundidade, deixando a situação destes pobres caminhoneiros ainda mais séria, pois por um descuido na hora de remover os caminhões, o pouco gelo que os segura pode quebrar e o caminhão afundar por completo.

É ai que entram os especialistas em tirar caminhões do gelo, um trabalho que até então nós nem imaginávamos existir neste mundo.

Se a camada de gelo se quebrou com a passagem do caminhão, é porque era fina. A técnica que esses trabalhadores desenvolveram é a de endurecer o rio por debaixo do caminhão, por congelamento. Eles cortam buracos com moto-serras ao redor do caminhão de poucos centímetros de profundidade por vez, para que o gelo vá crescendo para o fundo. É um jogo de paciência, pois após aberto o buraco, deve-se esperar sua base congelar pelo contato com o frio exterior e leva em torno de um dia para o gelo aumentar 15cm em profundidade. No próximo dia, cava-se mais alguns centímetros e espera-se sua base congelar novamente, assim sucessivamente.

Quando os buracos estiverem bem profundos e o caminhão possuir uma boa base rígida por debaixo, corta-se o gelo que o prende e reboca-se ele para fora da enrascada. Disseram-nos os trabalhadores que todo o processo de remoção do caminhão pode levar dois meses ou mais. Infelizmente os caminhoneiros, que já terão que arcar com todo o prejuízo da remoção e avarias, terão também sua temporada de trabalho finalizada, o que lhes gera um prejuízo ainda maior. Mas contra a natureza, ninguém pode!!!

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Um comentário. Confira:

  • Sempre tive essa curiosidade quando assistia ao programa “caminhoneiros do gelo”, no canal History. Aprecio muito o relato de vocês. Viajo junto a cada post novo. Parabéns e obrigado!!

    José Antõnio

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