Conde Drácula. Mito ou realidade?

2 de maio de 2017

Se é mito ou realidade, esse tal Drácula foi, com certeza, uma das razões que nos levou para a Romênia. E depois de conhecermos algumas cidades e castelos na Transilvânia, levando sempre, claro, uma cabeça de alho no bolso, o que entendemos dessa história é o seguinte: está mais para mito, mas foi baseada em fatos e personagens reais.

Em 1897 o escritor irlandês Bram Stoker publicou um livro de romance/ficção chamado Drácula. Sua história se tornou tão famosa, que ainda hoje é considerado um dos grandes clássicos da literatura de terror. Em número de publicações, segundo a revista Superinteressante, Drácula perde só para a Bíblia. Apesar do livro Drácula não ter sido um sucesso imediato da época vitoriana, alguns fãs o descreveram como “o romance de gelar o sangue do século”. E Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, escreveu em uma carta a Stoker: “Eu escrevo para lhe dizer o quando eu gostei de ler Drácula”.

A maior parte da história se desenrola no final do século 19, para sermos mais precisos entre os dias 3 de maio e 6 de novembro de 1890, entre a Inglaterra e a Transilvânia (Romênia), quando um jovem advogado britânico chamado Johnathan Harker vai para a Transilvânia para prestar apoio jurídico em transações imobiliárias que o Conde Drácula fazia em Londres. O que ele não sabia era que o castelo do Conde, onde iria se hospedar no período dos negócios, era muito temido pelo povo local. Ainda a caminho do castelo uma mulher lhe deu um crucifixo para que se protegesse do diabo.

Johnathan então é levado ao castelo pelo chofer de Drácula. Nos primeiros dias não percebe nada de anormal, somente que é solicitado para não entrar em certos aposentos do castelo. Mas depois de algum tempo Johnathan começa a ver coisas estranhas, como do Conde não refletir em espelhos. Drácula só não escondia seu ávido interesse por um resquício de sangue que ficou no rosto recém barbeado de Johnathan.

Numa noite, vagando nos quartos onde Johnathan não era permitido entrar, ele adormece e é acordado por três lindas mulheres, chamadas de “as irmãs”, com lábios vermelhos e dentes afiados. Elas o atacam e tentam sugar seu sangue, mas Drácula chega em tempo de salva-lo. Johnathan percebe o problema em que se encontra quando Drácula explica para as mulheres que Johnathan pertencia a ele. O grande interesse de Drácula era aprisionar Johnathan no castelo da Transilvânia, para nesse tempo tentar reconquistar sua amada, que morrera há 400 anos atrás, mas reencarnara numa linda mulher de Londres, que por coincidência, era noiva de Johnathan.

Esse é só o começo dessa história horripilante, que pode ser vista, hoje, em diversos filmes. O que é fiel a narrativa do livro é Drácula de Bran Stoker, de 1992. Seu elenco conta com atores de Hollywood, como: Gary Oldman, Anthony Hopkins, Winona Ryder, Keanu Reeves e Cary Elwes. Alias, vale salientar que o livro original de Bram Stoker já se tornou de domínio público, então pode ser baixado gratuitamente na internet.

Mas e aí, o que há de real nisso tudo?

Vlad III, também conhecido por Vlad Tepes, foi o príncipe da Valáquia que inspirou o escritor Bram Stoker.

Vlad III nasceu em Sighişoara em 1431, na casa que mostramos nas fotos deste POST. Ele era filho de Vlad II, Dracul, e em latim “draco” significa dragão. Seu pai tinha esse nome, pois pertencia a Ordem do Dragão, cujo propósito era defender a Europa e a igreja cristã do Império Otomano (turco) durante as Cruzadas. O nome Drácula caberia, então, como filho do dragão. Mas em romeno, “dracul” também significa diabo, e Drácula é também interpretado como filho do diabo.

No século 15 o Império Otomano era poderoso, muito superior aos valáquios, fazendo-os controladores do território da Valáquia. Por isso, com apenas 11 anos de idade, Vlad III e seu irmão Radu, ainda mais novo, foram entregues ao sultão otomano Murad II, como garantia de que seu pai, Vlad II, o então governador da Valáquia, seguiria as normas otomanas e jamais bateria de frente com eles. Os otomanos usavam essas estratégias para manter seu império unido. Outro costume era requisitar por jovens dos países que controlavam, centenas ou até milhares deles, para fortalecerem o exército otomano. No retorno de Vlad III para a Valáquia seu pai já havia falecido, então com apenas 17 anos ele iniciou uma série de guerras, principalmente contra os otomanos, que marcariam a sua vida. Aos 25 assumiu o trono que pertencera ao pai e ali permaneceu por 6 anos.

Hoje, para os Romenos, Vlad é tido como um herói, pois suas lutas sempre foram em prol da proteção e resistência contra os otomanos. Mas fora dessas terras, principalmente na Europa Ocidental, sua reputação foi de um homem brutal, monstruoso, filho do diabo, que chupava o sangue de seus inimigos e isso se deve a forma que punia, torturava e matava-os. Pelo escritor do livro ser da Europa Ocidental e jamais ter pisado nas terras romenas, a base das pesquisas para o personagem Drácula fora feita lá, o que explica a criação deste vampiro. Vlad III, também era chamado de Vlad Tepes, ou Vlad o Impalador, devido a forma que punia seus inimigos. Impalar era uma tortura utilizada também pelos otomanos, onde os torturadores atravessam um pau comprido por dentro da pessoa a ser torturada, a começar pelo anus para sair na boca, tendo cuidado para não perfurar os órgãos vitais e assim tardar ainda mais a morte.

O castelo que visitamos na Transilvânia, conhecido como o castelo do Drácula, na verdade não era o castelo de Vlad III. O que coincidiu foram as suas características com as descritas no livro de Bram Stoker. Assim, o castelo Bran (que não tem nada a ver com o nome do autor do livro), hoje, é visitado por milhares de pessoas de todos os cantos do mundo, que assim como nós, buscam por um gostinho do sangue dessa história.

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3 comentários. Confira:

  • uallllll! :)

    caio Pompeo
  • Que história assustadora !!

    Harley G Hennich
  • Nossa, essa história é sinistra e arrepiante… rsrsrs

    Leones Rudnick

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