Uma competição muito bizarra

10 de setembro de 2016

Basquetebol a cavalo, onde a bola é um carneiro morto; caça de lobos e raposas com o uso de águias; arco e flecha tradicional; competição de montagem de tendas nômades; lutas; jogos de estratégia que usam ossos de cabras como dados; corridas a cavalos e de cachorros e muito mais!!!

Foi um pouco disso que, por coincidência do destino, pudemos prestigiar na semana passada. É uma competição bizarra chamada Jogos Mundiais Nômades, que teve sua segunda edição neste ano no Quirguistão (3 a 8 de setembro de 2016) e contou com a participação de atletas de 40 países.

Foi lindo, apesar de um pouco chocante para os não nômades. A primeira competição que vimos foi o Kok-Boru, esse que chamamos de basquetebol, mas por ser jogado com cavalos, podemos compara-lo também com o polo. O jogo foi Rússia x EUA e a Rússia ganhou de lavada. O Kok-Boru teve origem em um passado distante, quando homens saiam para caçar e suas mulheres e crianças cuidavam dos rebanhos, mas mesmo próximo as suas casas e sob os olhos dos humanos, muitos animais eram atacados por lobos. Quando os caçadores retornavam de suas caçadas, enfurecidos pela notícia dos ataques aos seus animais, saiam atrás dos lobos e os agarravam vivos de seus próprios cavalos e os atiravam para seus companheiros em forma de brincadeira. Hoje utiliza-se para esta competição um carneiro morto sem cabeça e este pesa cerca de 30kg. Os jogadores precisam ajunta-lo do chão sem descer do cavalo, o que demanda muita força e técnica dos cavaleiros. Uma vez que ele foi pego, deve ser atirado numa espécie de poço no campo do oponente, sendo que todo esse movimento é dificultado pelo outro time e o campo se parece mais de batalha que de esporte. Vimos também o jogo do Afeganistão contra um outro distrito da Rússia e os afegãos, apesar de terem tido maior posse do carneiro durante o jogo, perderam por 1 x 0.

Uma luta que gostamos bastante foi o mass-wrestling. Não é bem uma luta, mas uma espécie de cabo de força utilizando um bastão de madeira que é segurado por ambos lutadores, sentados no chão e separados por uma tábua onde apoiam seus pés. Imaginem uma mesa de tênis de mesa, onde a tábua substitui a rede e a mesa em si é onde os lutadores sentam. O objetivo é puxar o oponente para seu campo ou pelo menos faze-lo soltar o bastão. Para nossa surpresa brasileiros participaram dessa modalidade, além dos países Noruega, EUA e muitos outros que não necessariamente são nômades. Houveram também seis outras categorias de artes marciais, sendo algumas ainda com roupas tradicionais. Percebemos que a Ásia Central e alguns países do Leste Europeu são muito fortes nas lutas, como o Quirguistão, Cazaquistão, Armênia, Azerbaijão e por isso também faturaram muitas medalhas nessas modalidades nas Olimpíadas do Brasil.

Chegamos tarde para assistir a caça de lobos e raposas por águias-reais. Vimos apenas as que simulavam caçadas com uma isca de pele de raposa puxada por um cavalo. As águias são muito bem treinadas por seus donos, os quais as deixavam a mais de 100 metros de distância e tinham que atrai-las afim de voarem para seus braços.

Nas competições de arco e flecha haviam mais modalidades, como a cavalo ou no chão e quase todos competidores atiravam trajados, lembrando o filme de Robin Hood e nos dando a impressão de estar nas florestas inglesas de Sherwood no século XIII.

Houveram também, como já citamos, corridas de cachorro e de cavalos, jogos de inteligência, etc. Mas assim como nas Olimpíadas no Brasil, vários jogos aconteciam ao mesmo tempo, ficando impossível de vermos todos. Nós gostamos muito das competições tradicionais de montagem de casas nômades, conhecidas aqui por yurt. Os times eram compostos por seis pessoas e a cada vez, cinco times diferentes competiam. Uma equipe, segundo os locais, bateu o recorde absoluto erguendo a yurt em 10 minutos e 10 segundos.

Nos arredores do evento, províncias do Quirguistão montaram centenas de yurts como forma de estandes, onde mostravam suas culturas, comidas tradicionais (nós comemos churrasco de cavalo), danças, música, teatro, dentre muita cultura e tudo muito lindo e organizado. Um espetáculo!!!

Para mais informações sobre os Jogos Mundiais dos Povos Nômades, acessem este site: worldnomadgames.com

Os próximos Jogos Mundiais Nômades serão em 2018, na Turquia.

 

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3 comentários. Confira:

  • e acabou em piquenique :) show de bola.

    Rafael Naravan
  • Que beleza! Que viaja o mundo vê coisas. Parabéns!!!

    Valter
  • Que sorte estarem no lugar certa e na hora certa para poder presenciar o evento, viver a experiência e conhecer mais sobre essa cultura. Grato por compartilhar!

    Josias Alan Rezini

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