2000-2001: Deserto do Atacama de Honda CB 500 [Roy Rudnick]

30 de maio de 2011

É interessante a forma que os nossos sonhos surgem: quando eu voltava de Ushuaia (jan/2000), minha primeira grande viagem de moto, por ter tido muito tempo a sós com meu capacete enquanto percorria aquelas intermináveis retas da Argentina, já sonhava com o que poderia fazer nas próximas férias. Eu sonhava e ao mesmo tempo planejava cruzar o árido Deserto do Atacama no altiplano Argentino, Chileno e Boliviano.

Isso foi uma coisa legal. Durante aquele ano de trabalho e estudos, eu tinha um sonho, eu tinha um plano. Era o que me mantinha!!! Talvez os sonhos sejam feitos para isso, para dar-nos motivação no trabalho e nos estudos em prol de algum objetivo. No meu caso, ATACAMA.

Parti em dezembro de 2000 em uma Honda CB 500, subi a Cordilheira dos Andes via Paso Sico e segui até o Pacífico, dedicando um bom tempo à cidade e entorno de San Pedro de Atacama, uma das principais cidades desse deserto. No Pacífico, em Iquique, comemorei o ano novo e desci até Santiago, de onde retornei ao Brasil passando pelos Caracoles, Córdoba e Foz do Iguaçu.

No livro Mundo por Terra – Uma fascinante volta ao mundo de carro, cito um acontecido desta viagem, o qual segue abaixo:

“Descemos a Cordilheira dos Andes pela Ruta 24, depois de passar ao lado da maior mina de cobre no mundo, a Chuquicamata. A estrada tem cerca de 100 quilômetros e desce 3.000 metros. Fizemos a conta e encontramos apenas quatro curvas, cada uma com menos de 20 graus à direita ou à esquerda. Chegamos ao nível do Oceano Pacífico e lá, como Pizarro, molhamos nossos pés. Tempos depois iríamos cruzar aquela imensidão de água, rumo a Oceania. Novas aventuras nos aguardavam do outro lado. E que aventuras!

Essa descida de 3.000 metros em apenas quatro curvas é muito interessante, porém um pouco traiçoeira, pois te leva a querer fazer a melhor média de consumo de combustível da sua vida. Aconteceu isso comigo, só que há alguns anos. Viajava sozinho com uma Honda CB 500 e sobre o seu tanque de gasolina carregava uma bolsa preta fixada somente por velcro, onde estavam minhas roupas, planilha de viagem, máquina fotográfica, filmes já batidos, etc. Mas na descida, como vinha pilotando sem pressa alguma, deixei a moto rodar na banguela até começar a parte plana. Foram praticamente 100 quilômetros quase sem gastar combustível. Por isso, decidi que quando estivesse na parte da estrada que costeia o Pacífico, iria rodar até acabar o combustível do tanque principal. Queria ver qual seria meu recorde de autonomia com aquela moto. Eu me dava esse luxo de secar todo o combustível da moto porque carregava atrás das minhas costas um tanque de plástico com mais cinco litros de gasolina, os quais eu utilizaria para chegar à próxima cidade.

Dito e feito: a moto parou e eu estava feliz da vida que tinha feito aquela autonomia absurda. Sem descer da moto, tirei a famosa bolsa preta fixada sobre o tanque para que pudesse abrir sua tampa e abastecer. Coloquei-a para trás, em cima de um bauleto de plástico, com chave, onde carregava meus documentos e dinheiro. Em seguida, peguei o galão com os cinco litros, ainda sem descer da moto, e abasteci o tanque principal. Guardei o galão atrás das minhas costas, fechei a tampa do tanque e arranquei a moto a toda velocidade no sentido de Iquique, cidade que estava por vir. Só depois de dez quilômetros percorridos fui perceber que a mala havia caído de cima do bauleto há muito tempo. Até voltei para buscá-la, mas cheguei tarde demais: alguém já havia levado. Que burrice! Perdi tudo o que estava lá dentro. Tudo! O que me custou para perdoar foi a perda das fotos que tirei quando acampei no meio dos Géiseres del Tatio, a 4.300 metros de altitude, com temperatura próxima dos 10 graus negativos. Perdi aquela foto das cinco da manhã, quando minha moto e barraca, completamente brancas de gelo, contrastavam com o vapor dos gêiseres que subiam naquele céu azul.”

Vejam fotos dessa viagem…

Grande abraço,

Roy

Primeira foto, primeiro acampamentoSegundo dia de viagem com muita chuvaSalta, ArgentinaLindas estradas argentinasA caminho de CafayateDescansoEsse é o trem que subirá as cordilheirasParada policial4.600 metros ao nível do marParada para uma foto com um amigoPonte do Trem de las NublesA moto parece um pontinho...ArgentinozinhoA altitude é difícil para a CB 500Lhamas curiosasMuito legalFoto com uma expediçãoDeserto do AtacamaEncontro que rendeu menção em livro do OlintoQue visual!!!Lindas cores nas paisagensPaso SicoVale de la Luna, São Pedro de AtacamaVale de la Luna, ChileAo pôr do solLaguna verdeAo fundo, Vulcão LincancaburPequenos Geisers del TatioTemperatura muito baixaIquique, antes do ano novoFogos em IquiqueOceano PacíficoAcampamento tranquiloAguas friasBikeVale NevadoCurvas incontáveisLaguna IncaCristo Redentor - ChileLindas montanhasPuente del IncaDentro da Puente del IncaParque do AconcáguaBurros carregadoresCerro AconcáguaApós chuva de pedraPonto de ônibus para fugir da chuvaChuva de pedrasÚnica foto pilotando a motoPiçarras, SC

 

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Um comentário. Confira:

  • Boa tarde meu camarada. Tudo bem? Espero que sim. Pretendo fazer essa viagem de moto até o Atacama. Tenho uma Cb 500, ano 2000 e com ela que pretendo fazer essa aventura.
    Gostaria que me contasse, se possível, um pouco sobre o comportamento dela na altitude, tendo em vista ser carburada? Você faz alguma preparação, regulagem específica pra essa viagem? Agradeço desde já. Abraço

    Vinicius Velleda

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